Surdocegueira e DMU: algumas características
Cátia Matias,2014.
O
estudo sobre os diferentes tipos de deficiências, no Brasil e em outro país,
tem avançado significativamente. Aparentemente quando surge o termo
Deficiências Múltiplas (DMU) incorremos no erro de encaixar dentro deste
conceito as pessoas que são surdocegas.
Entretanto, de acordo com Maia (2011) a surdocegueira apresenta
características peculiares e exige atenção diferenciada.
Surdocego é a pessoa que tem uma perda auditiva e visual
concomitantemente. Conforme estude de Maia (2011, p.01) está perda pode ter
graus variados: Surdocego total;
Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual; Surdocego com
surdez moderada associada com resíduo visual; Surdocego com surdez moderada ou
leve com cegueira; Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais.
A
surdocegueira pode ser congênita quando a pessoa já nasce com preda auditiva e
visual, ou pode ser adquirida ao logo da vida. As pessoas que nascem surdocegas
ou que adquire essa deficiência não recebem informações imediatas do ambiente
que as cercam, precisando sempre de alguém para descrever os objetos e
situações. Elas captam as informações através dos “canais sensoriais proximais como: tato, olfato,
paladar, cenestésico, proprioceptivo e vestibular” (MAIA, 2011, p.04).
Já
a pessoa com DMU ira ter sempre a presença de um dos “canais distantes (visão e
audição)” que são os canais que oferecem informações mais fidedignas ao
indivíduo e que permitem aos mesmos criar um ponto de referência.
Sobre
os recursos e metodologias para estabelecer a comunicação:
A
comunicação e a interação são condições necessárias para o desenvolvimento da
linguagem. O processo comunicativo inicia-se com através do movimento corporal e
da vocalização, sendo necessário o estabelecimento de uma rotina.
Segundo
Serpa (2002,
p.2) “Nas crianças com surdocegueira e com deficiência múltipla, a COMUNCIAÇÃO
é o aspecto mais importante e, por isto, deve-se focar nele toda a atenção na implementação
do programa educacional/terapêutico, já que é o ponto de partida para chegar a
qualquer aprendizagem”.
Existem diferentes
estratégias para iniciar este processo comunicativo com as pessoas que tem DMU
ou Surdocegueira. Maia( 2011) destaca a caixa de antecipação como a primeira
estratégia de comunicação, nesta caixa são guardados objetos de referência que
permitem anunciar uma atividade, horário, qualificador(sim, não), lugar ou
pessoa.
Os
símbolos tangíveis também é uma opção interessante para estabelecer um canal de
comunicação: estes símbolos são construídos para atender necessidades
comunicacionais individuais das pessoas com surdocegueira, DMU e até outras
deficiências que comprometam comunicação com o meio.
Para
criar os símbolos é necessário saber quais os movimentos finos e grossos que o
indivíduo pode realizar, bem como saber se ele percebe que pode induzir o
comportamento de outras pessoas através de comunicação pré-simbólicos
intencionais (aponta objetos intencionalmente). Entretanto, esses símbolos
quando utilizados para as pessoas com surdocegueira devem ser tridimensionais.
(Rowland , Schweigert ,2005, p.2-4).
Estas ações são aprimoradas
paulatinamente e de acordo com desenvolvimento e apropriação destes objetos de
referência e símbolos, podendo introduzir linguagem escrita.
De acordo com Serpa (2002,
p.3) “ao falarmos das pessoas surdocegos que ainda não alcançaram a fase dos
sinais, devemos dar ênfase à importância da leitura dos movimentos do corpo e
do uso dos outros sentidos básicos para que elas aprendam”. Assim o tato se
constitui como um canal essencial para a comunicação.
De acordo com tipo
(adquirida ou congênita) e grau (total ou parcial) da surdocegueira é que
iremos estabelecer os principais canais de comunicação e forma de
alfabetização.
Quando o indivíduo tem
surdocegueira congênita o processo comunicativo se dá, inicialmente, através da
comunicação não simbólica: movimento do corpo, choro e outros. Nestes casos o
uso da caixa de antecipação, o estabelecimento de rotina, criação de relações
sociais diversas e outros estímulos são essenciais para o desenvolvimento da
criança.
Por outro lado, as pessoas
que tem surdocegueira adquirida apresenta outras necessidades e possibilidades
de interação e comunicação. Para escolher o sistema mais adequado de
comunicação deve-se considerar os seguintes aspectos:
·
Resíduos visuais e/ou auditivos
·
Momento de aparecimento da surdocegueira
·
Aceitação da nova condição (aspecto emocional)
·
Idade da pessoa
·
Nível educacional alcançado
·
Ambiente familiar (SERPA, 2002, p.3).
Os
sistemas de comunicação podem ser divididos em alfabéticos (Alfabeto
“Datilológico”, Alfabeto de escrita manual, Placas Alfabéticas, Meios
Técnicos com saída em Braille) e não alfabéticos (Língua
sinais, Tadoma).
Bibliografia
BOSCO,
Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão
Escolar - Fascículo
05:
Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
Capítulo 1 - A pessoa com Surdocegueira.
Capítulo 2 - A pessoa com Deficiência Múltipla. Capítulo 3 - Necessidades
Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla.
ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções
Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila
In mimeo. Tradução Acess. Revisão:
Shirley R. Maia - 2013.
MAIA,
Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes
para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina Profa. Dra. Shirley Rodrigues
Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas de Solução para o Problema.
Curso de especialização em AEE. São Paulo, 2011.
SERPA, Ximena Fonegra, Comunicação
para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas, INSOR-Colômbia 2002.
Parabéns pelo texto! Realmente a comunicação é ponto de partida para qualquer situação de aprendizagem. Criar estratégias para que ela aconteça é umas das atribuições do professor do AEE no atendimento a essas crianças. Dessa forma as sugestões que você destacou como a caixa de antecipação e a criação dos símbolos tangíveis foram muito importantes e esclarecedoras.
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