sexta-feira, 18 de abril de 2014



Surdocegueira e DMU: algumas características

Cátia Matias,2014.

O estudo sobre os diferentes tipos de deficiências, no Brasil e em outro país, tem avançado significativamente. Aparentemente quando surge o termo Deficiências Múltiplas (DMU) incorremos no erro de encaixar dentro deste conceito as pessoas que são surdocegas.   Entretanto, de acordo com Maia (2011) a surdocegueira apresenta características peculiares e exige atenção diferenciada.
        Surdocego é a pessoa que tem uma perda auditiva e visual concomitantemente. Conforme estude de Maia (2011, p.01) está perda pode ter graus variados: Surdocego total; Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual; Surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual; Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira; Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais.
A surdocegueira pode ser congênita quando a pessoa já nasce com preda auditiva e visual, ou pode ser adquirida ao logo da vida. As pessoas que nascem surdocegas ou que adquire essa deficiência não recebem informações imediatas do ambiente que as cercam, precisando sempre de alguém para descrever os objetos e situações. Elas captam as informações através dos “canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cenestésico, proprioceptivo e vestibular” (MAIA, 2011, p.04).
Já a pessoa com DMU ira ter sempre a presença de um dos “canais distantes (visão e audição)” que são os canais que oferecem informações mais fidedignas ao indivíduo e que permitem aos mesmos criar um ponto de referência.

Sobre os recursos e metodologias para estabelecer a comunicação:

A comunicação e a interação são condições necessárias para o desenvolvimento da linguagem. O processo comunicativo inicia-se com através do movimento corporal e da vocalização, sendo necessário o estabelecimento de uma rotina.
Segundo Serpa (2002, p.2) “Nas crianças com surdocegueira e com deficiência múltipla, a COMUNCIAÇÃO é o aspecto mais importante e, por isto, deve-se focar nele toda a atenção na implementação do programa educacional/terapêutico, já que é o ponto de partida para chegar a qualquer aprendizagem”.
Existem diferentes estratégias para iniciar este processo comunicativo com as pessoas que tem DMU ou Surdocegueira. Maia( 2011) destaca a caixa de antecipação como a primeira estratégia de comunicação, nesta caixa são guardados objetos de referência que permitem anunciar uma atividade, horário, qualificador(sim, não), lugar ou pessoa.

 Os símbolos tangíveis também é uma opção interessante para estabelecer um canal de comunicação: estes símbolos são construídos para atender necessidades comunicacionais individuais das pessoas com surdocegueira, DMU e até outras deficiências que comprometam comunicação com o meio.
Para criar os símbolos é necessário saber quais os movimentos finos e grossos que o indivíduo pode realizar, bem como saber se ele percebe que pode induzir o comportamento de outras pessoas através de comunicação pré-simbólicos intencionais (aponta objetos intencionalmente). Entretanto, esses símbolos quando utilizados para as pessoas com surdocegueira devem ser tridimensionais. (Rowland , Schweigert ,2005, p.2-4).
        Estas ações são aprimoradas paulatinamente e de acordo com desenvolvimento e apropriação destes objetos de referência e símbolos, podendo introduzir linguagem escrita.
De acordo com Serpa (2002, p.3) “ao falarmos das pessoas surdocegos que ainda não alcançaram a fase dos sinais, devemos dar ênfase à importância da leitura dos movimentos do corpo e do uso dos outros sentidos básicos para que elas aprendam”. Assim o tato se constitui como um canal essencial para a comunicação.
De acordo com tipo (adquirida ou congênita) e grau (total ou parcial) da surdocegueira é que iremos estabelecer os principais canais de comunicação e forma de alfabetização.
Quando o indivíduo tem surdocegueira congênita o processo comunicativo se dá, inicialmente, através da comunicação não simbólica: movimento do corpo, choro e outros. Nestes casos o uso da caixa de antecipação, o estabelecimento de rotina, criação de relações sociais diversas e outros estímulos são essenciais para o desenvolvimento da criança.
Por outro lado, as pessoas que tem surdocegueira adquirida apresenta outras necessidades e possibilidades de interação e comunicação. Para escolher o sistema mais adequado de comunicação deve-se considerar os seguintes aspectos:

·                Resíduos visuais e/ou auditivos
·                Momento de aparecimento da surdocegueira
·                Aceitação da nova condição (aspecto emocional)
·                Idade da pessoa
·                Nível educacional alcançado
·                Ambiente familiar (SERPA, 2002, p.3).


Os sistemas de comunicação podem ser divididos em alfabéticos (Alfabeto “Datilológico”, Alfabeto de escrita manual, Placas Alfabéticas, Meios Técnicos com saída em Braille) e não alfabéticos (Língua sinais, Tadoma).

Bibliografia
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 1 - A pessoa com Surdocegueira. Capítulo 2 - A pessoa com Deficiência Múltipla. Capítulo 3 - Necessidades Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla.

ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.

MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina Profa. Dra. Shirley Rodrigues Maia para apoiar no desenvolvimento das propostas de Solução para o Problema. Curso de especialização em AEE. São Paulo, 2011.

SERPA, Ximena Fonegra, Comunicação para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas, INSOR-Colômbia 2002.