EDUCAÇÃO DA
PESSOA COM SURDEZ: algumas aproximações
A educação das pessoas com Surdez ao logo da
história adotou diferentes métodos e concepções de ensino, essa mistura de
método ocorria geralmente em busca de uma linguagem que estabelecesse um canal
de comunicação adequado para o Surdo, na maioria das vezes com um discurso
focado na deficiência e não na pessoa. Pode-se observar a presença desses
modelos de educação até os dias atuais.
Na Antiguidade os gregos e romanos consideravam os
surdos incapazes. De acordo com Honora, Frizanco (2009, p.19) os surdos “não
tinham direito a testamento, à educação e a frequentar os mesmos lugares que os
ouvintes. Até o século XII, os Surdos eram privados até mesmo de se casarem”.
Essa incapacidade fora reforçada em diferentes discursos, por exemplo,
Aristotéles afirmava que audição eram a função mais importante para a
educação.(HONORA, FRIZANCO,2009, p.19).
De acordo com Honora, Frizanco (2009, p.19) na
Idade Média a igreja católica tentou educar as pessoas com surdez, movidas por
dois fatores . O Primeiro é que a igreja católica considerava que o homem fora
criado a “ imagem e semelhança de Deus” e os surdos dentro desse padrão não
considerados humanos; o segundo fator é que os nobres dentro dos seus feudos
acabaram casando-se entre si para não dividir a herança com outras famílias e
dessa união apareceram muitos filhos surdos. Para resolver esse problema a
igreja católica convidou os monges que estavam em clausura e fizeram voto de
silêncio para serem preceptores dos surdos nobres, já que a igreja precisava
manter uma boa relação com os nobres.
A meu ver, esse discurso da incapacidade tem sido
reforçado implicitamente até hoje quando sugere-se método de ensino que não
respeitam as particularidade e necessidades individual de cada pessoa com
surdez, ou quando sugere-se a implantação de escola só para surdos, reforçando
um movimento implícito de guetificação.
O ensino das pessoas com surdez, centrado nos
modelos arcaicos de educação, servem apenas para reforçar as desigualdades e
desvalorizar o potencial e particularidades da pessoa com surdez. Na
perspectiva da educação inclusiva deve-se valorizar o potencial humano e adotar
práticas que atendam as diferenças humanas. Conclui-se, entretanto, que o que
queremos, como bem explica Damasio( 2005), não é a substituição de classes especiais
excludentes por uma escola comum excludente, o que se pretende quando fala-se
em inclusão é promover mudanças na estrutura da atual escola e na sociedade,
baseando-se em uma “nova concepção de homem, de mundo, de conhecimento, de
sociedade, de educação e de escola, pautada na heterogeneidade, na não
dualidade, na não fragmentação, nas diferenças multiculturais e no que existe
de original e singular nos seres humanos”.( DAMASIO, 2005,p.109).
Assim, “O AEE PS deve ser visto como
construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que a
organização do conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear,
hierarquizada e fragmentada do conhecimento” (DAMASIO, 2005, p.27). Esse é o
discurso que embasa a educação especial dentro do paradigma da inclusão.
De acordo com Damasio (2005) “A negação de
preceitos importantes como, por exemplo, a legitimação da Língua de Sinais, que
é natural e essencial ao pleno desenvolvimento lingüístico, cognitvo e social
das pessoas com surdez, reporta-nos aos preconceitos ora vigentes, valorizando
estereótipos, pautados na visão da normalização”.
Por outro lado é importante lembrar que a inclusão
do aluno com surdez na escola comum não implica só no uso da LIBRAS enquanto
forma de comunicação, o aluno surdo precisa ser estimulado e desafiado a
construir conhecimentos e desenvolver diferentes habilidades. Se o domínio da
LIBRAS fosse suficiente para a aprendizagem, as escolas especiais teriam tido
sucesso na escolarização significativa dos alunos surdos.
Dessa forma, precisamos pensar que existem
diferentes fatores que colaboram para essa aprendizagem. Podemos citar como
exemplo, a reestruturação da escola comum, a implantação de salas de recursos,
uso adequado da LIBRAS, dentre outros fatores que precisam serem repensados
para inclusão do alunos com surdez. Do ponto de vista da legislação temos
muitos avanços para mudar a realidade da educação da PS, porém do ponto de
vista prático, vivencial ainda estamos muito distantes do ideal, ou melhor, do
necessário.
Bibliografia
Bibliografia
HONORA, Márcia, FRIZANCO, Mary Lopes Esteves.Livro
Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais:desenvolvendo a comunicação usada
pelas pessoas com surdez.São Paulo: Ciranda Cultural, 2009.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida contextualização histórica. 2005.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida contextualização histórica. 2005.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005.
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